Alunos denunciam suposto caso de racismo em escola pública

Fonte: Midiamax –

 

O diretor da escola estadual Arthur de Vasconcellos, Ionedes Villela Moreira, é suspeito de omissão e conivência em suposto caso de racismo ocorrido naquela unidade, na noite da segunda-feira (23). A denúncia foi feita por um pai de aluno ao líder do movimento negro de Campo Grande, Nilton Gomes Ferreira. Hoje, haverá ato público em frente da escola, localizada no bairro Estrela do Sul, em protesto contra .

 

O caso teria ocorrido da seguinte forma: na segunda-feira (23), dois meninos estavam andando em direção à quadra poliesportiva da escola quando uma menina, branca, desceu correndo e esbarrou em um deles. A menina foi até a sala do diretor e disse que o garoto havia passado a mão em suas nádegas. Em seguida, foi até a quadra da escola e começou a xingar o garoto, que é negro.

 

A menina branca teria usado termos racistas e agredido não somente ele, mas outros estudantes negros que estavam no local, naquele momento. Ela teria chamado os garotos de “macacos”, “sujos”, “bando de pretos fedidos”. Uma outra menina, também negra, ofendida com os insultos, deu um tapa no rosto da garota branca.

 

Na terça-feira (24), um grupo de estudantes negros levou o caso até o diretor do colégio, Ionedes Villela Moreira. A reação do diretor foi surpreendente: ele advertiu o menino negro (que teria passado a mão na garota branca) e advertiu também a menina negra que deu o tapa no rosto da garota branca.

 

O diretor não teria considerado os testemunhos das pessoas que presenciaram os fatos. A garota branca, que teria proferido ofensas racistas, não foi sequer advertida, quanto mais punida. Ela já teria pedido transferência da escola.

 

A mãe da garota negra foi chamada à escola e se recusou a assinar a advertência. O diretor teria dito que ante a negativa, ela poderia ser obrigada a pagar uma cesta básica por mês para a menina branca.

 

A garota negra, de 17 anos, disse ao Midiamax que reagiu na medida em que foi insultada. Segundo ela, na escola estaria sendo comum ocorrências dessa natureza, sem que ninguém tenha sido punido até hoje.

 

Os alunos e pais se organizaram e vão fazer uma manifestação às 19h, em frente à escola. Líderes do movimento negro de Campo Grande também estarão presentes. Negou tudo.

 

O Midiamax entrou em contato com o diretor da escola, Ionedes Villela Moreira, por telefone. Ele alegou desconhecer qualquer tipo de manifestação programada para hoje à noite. Quando questionado sobre o que teria ocorrido, Vilela disse não saber de nenhum caso de racismo e pediu que o Midiamax entrasse em contato com a Secretaria de Educação para obter as respostas solicitadas.

 

O diretor também tentou impedir que a reportagem do Midiamax fotografasse a fachada da escola.

 

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